Engenheiro Especialista responde as 10 maiores dúvidas sobre o BIM

Muitos profissionais da indústria da construção civil ainda estão com muitas dúvidas sobre o BIM – Building Information Modeling. Diariamente recebo alguns e-mails e contatos de pessoas que ainda não estão interagindo com a tecnologia.

Para auxiliar e tirar algumas dúvidas, bati um papo com o Engenheiro Marcus Sterzi que foi um dos meus grandes professores na minha caminhada de conhecimento sobre o BIM.

Espero que gostem e agradeço a disponibilidade do professor Marcus Sterzi.

Professor Marcus Sterzi
O professor Marcus Sterzi tem mestrado pelo NORIE / UFRGS, e conta com mais de 20 anos de experiência em planejamento, projeto e gerenciamento de construção, experiência em instalações hospitalares e industriais, Imóveis e edifícios corporativos e implementação de ferramentas Lean Production, Last Planner e Building Information Modeling.

1. Como podemos definir o BIM?

“Posso definir o BIM como uma quebra de paradigma para a gestão de projetos e obras. Mais especificamente, o BIM é um processo que integra e armazena  a troca de informações entre as diversas fases de um empreendimento. Desde a concepção do produto, que se torna colaborativa entre os arquitetos, projetistas e engenheiros de campo, até as etapas de execução da obra e acompanhamento da sua vida útil.”

2. O BIM veio para mudar a forma de se projetar a edificação e gerir a obra?

“Sim. O formato colaborativo do processo BIM é bem diferente do processo tradicional de concepção de um projeto. Por exemplo, na sistemática BIM o arquiteto de um empreendimento torna-se dependente dos demais agentes do projeto e atividades da obra, sem que haja prejuízo na criação.”

BIM 3D, 4D E 5D – Fonte: http://blog.totalcad.com.br/

“Quanto à gestão, o BIM se torna uma ferramenta imprescindível para levantamento de quantitativos, orçamento, previsão de logística de canteiro de obras, enfim… é o nosso maior aliado.”

 

3. Muito se alia o BIM à Sustentabilidade na construção. Porque isso ocorre?

“Com certeza o BIM é um grande aliado à sustentabilidade. Permite identificar questões de desempenho da edificação mesmo antes do protótipo ou da construção. A redução de desperdícios é perceptível no processo quando ocorre a modelagem e a integração, tanto nas etapas de projeto como nas etapas de obra.”

4. Como o Brasil encontra-se em relação aos demais países?

“Estávamos caminhando em passos lentos para o futuro em BIM entretanto, nos últimos meses começamos a entrar na melhor fase do BIM no país. Algumas ações de instituições como a ASBEA e o Governo do Paraná, começaram a estimular os profissionais para a utilização da tecnologia.

Dependemos de ações isoladas de aplicação BIM, sem uma ação integrada da cadeia produtiva.  No entanto, por tratar-se de uma mudança cultural, acredito que em relação a outros países, o Brasil pode alcançar grandes objetivos com o sistema BIM e tornar uma realidade no desenvolvimento de projetos e obras. Esse deve ser um diferencial competitivo para os profissionais capacitados em BIM.”

5. Você acredita que o modelo da edificação em BIM pode se tornar uma exigência em licitações de obras públicas?

“Na verdade já está sendo… além disso tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei N.º 6.619, de 2016, que vem a reforçar mais ainda a exigência do BIM em obras públicas.

Acredito que o BIM pode se tornar um diferencial para as obras públicas na modalidade RDC  (Regime Diferenciado De Contratações)  onde as empresas são selecionadas com base em menor preço,  melhor técnica e maior retorno econômico. Neste caso a empresa será responsável pelo desenvolvimento do projeto desde o seu início. O BIM permitirá  a avaliação das etapas de projeto, obra e o ciclo de vida do empreendimento.”

6. Para quem quiser iniciar com o BIM, quais os softwares e cursos disponíveis?

“Dentre os softwares existentes para aplicação das ferramentas BIM destaco o Revit; em conjunto com o Navisworks; o Archicad; e o Vectorworks. Estes são os softwares que permitem trabalhar na plataforma 5 D . Com relação aos cursos, destaco o MBA em Plataforma BIM do INBEC, pelo excelente corpo docente, formado por profissionais realmente atuantes no mercado.

É importante destacar que um excelente conhecedor do software pode não ser um aplicador BIM e sim um modelador. Por trás do BIM existe uma nova cultura de gestão de projetos, que captura conceitos e práticas  da Engenharia Simultânea  e da filosofia LEAN que devem ser atribuições de um BIM Manager.”

7. Existem cases bem sucedidos de empresas com o uso do BIM em seus empreendimentos? Poderia citar algum?

“Sim, poderia citar o caso de dois empreendimentos residenciais no qual utilizei o sistema BIM com sucesso. Mas destaco as incorporadoras do mercado imobiliário e construtoras de empreendimentos privados que, ao longo dos últimos anos, vem realizando investimentos significativos em BIM. Estas empresas, nos seus processos isolados de aplicação, acabam desenvolvendo arquitetos, projetistas e outros stakeholders no sistema BIM.”

Complexo de condomínio na Praia de Jurerê Internacional (SC) – Fonte: http://maisengenharia.altoqi.com.br/

 8. E o mercado de trabalho a nível nacional?

“Abre-se uma porta, diria, um portão para profissionais do setor com capacitação e conhecimento em gestão BIM.  Estes profissionais terão um diferencial em relação aos demais, e com certeza serão melhor remunerados durante período em que o BIM estiver se consolidando no mercado.”

O papel do Bim Manager – Fonte: https://thebimhub.com/

9. De que forma a indústria da construção poderia estimular o uso do BIM e quais os ganhos com esse processo?

“Através das entidades de classe do setor, seria possível estabelecer um programa setorial de desenvolvimento BIM, tanto para construtoras, empresas de arquitetura e projeto, fornecedores e demais stakeholders. O suporte das universidades neste programa seria interessante para promover conhecimento cientifico e melhoria das práticas implementadas no setor. A academia sabe muito bem como fazer este desenvolvimento.  Me recordo dos excelentes resultados promovidos  pelo programa SISIND-NET, um Clube de Benchmarking promovido pelo NORIE/UFRGS, Sinduscon-RS e empresas do Rio Grande do Sul, do qual  tive a oportunidade  de participar. Com este modelo poderíamos atingir em menor tempo a consolidação do processo BIM no Brasil.”

10. Para finalizar, o BIM veio para ficar e mudar os processos? Qual o seu sentimento quanto a isso?

“Sim, o BIM veio para ficar e mudar a maneira como gerenciamos os nossos projetos e obras. Estamos ainda na fase inicial do conhecimento dos softwares e das suas aplicações. No entanto, levaremos algum tempo para ter a cultura BIM em nossos empreendimentos.”

 

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